
A porta da garagem é o maior buraco móvel da casa, e o que falha quase sempre é a peça mais barata: uma tira de borracha na borda inferior que passou dez anos amassada, castigada pelo sol e congelada. Quando ela deixa de vedar, entram ar frio, folhas, água que escorre pela laje e —o que se percebe por último— ratos, que passam por uma fresta de cerca de seis milímetros.
O conserto leva uma tarde e uma checagem simples, e o fim de setembro é a hora certa: o vinil e o adesivo ainda funcionam num dia ameno e a primeira geada ainda não chegou.
Primeiro, ache as frestas
Não adivinhe por onde o ar entra. O melhor teste não custa nada: feche a porta, apague as luzes da garagem e olhe a porta por dentro num dia de sol. Qualquer linha de luz embaixo ou nas laterais é uma fresta. Sem sol? Peça a alguém para passar uma lanterna pela borda de fora enquanto você olha por dentro.
- Borda inferior: procure uma borracha achatada, rachada, ressecada ou rasgada, solta do trilho, ou mais curta que a porta.
- Laterais e topo: o vedante de vinil dos batentes deve encostar de leve na porta fechada em toda a altura. Passe uma folha de papel entre os dois: se sair sem resistência, ali há vazamento.
- O piso: uma laje que afunda ou tem caimento para fora deixa uma fresta que nenhuma borracha inferior fecha, por mais nova que seja. Anote onde ficam os desníveis.
- A parede: veja onde o batente encontra a parede e a laje, procurando juntas abertas e rachaduras.
A maioria das garagens só precisa consertar um desses pontos, e a borracha inferior é de longe o mais comum.
Troque a borracha inferior
As borrachas inferiores ficam presas num trilho parafusado na base da porta, e a nova entra do mesmo jeito que a velha saiu. Meça primeiro a largura da porta (a maioria tem 2,4 m, 2,7 m, 4,8 m ou 5,4 m) e observe o formato da ponta da velha: um bulbo ou um T que desliza no trilho, ou um estilo com cordão que encaixa num trilho em J ou duplo. A nova precisa combinar com o trilho, então tire uma foto da ponta antiga para comparar na loja.
- Tire a velha. Com a porta fechada, deslize-a para fora do trilho por uma das pontas. As teimosas saem com um alicate e um pouco de silicone em spray ou água com sabão.
- Limpe o trilho com um pano e a ponta de uma chave de fenda. Sujeira e borracha velha é o que dificulta encaixar a nova.
- Encaixe a nova por uma ponta com um pouco de silicone no trilho. Não estique; deixe deslizar.
- Corte um pouco maior e depois apare. Vinil e borracha se movem com a temperatura, então deixe assentar alguns minutos antes de cortar a segunda ponta rente à porta.
- Escolha o material pelo seu inverno. O vinil endurece e racha no frio forte; a borracha continua flexível. Se sua garagem congela de verdade, pague pela borracha.
Faça numa tarde amena, porque uma borracha fria fica dura e briga com você o tempo todo.
Borrachas inferiores para porta de garagem →
Conserte as laterais, o topo e a soleira
Se o teste de luz mostrou claridade nas laterais, o vedante de vinil do batente está gasto ou saiu do lugar. O vedante novo é pregado ou parafusado em poucos minutos: feche a porta, segure a tira para que só encoste na face da porta e fixe a cada trinta centímetros ou pouco mais, de modo que pressione sem apertar demais. O mesmo vale para uma borracha superior rasgada.
Para um piso que afunda junto à porta, a borracha inferior costuma cobrir uma folga de até cerca de dois centímetros. Acima disso —ou quando a laje é desnivelada de um lado a outro— o melhor conserto é uma soleira de vedação: uma rampa de borracha colada no piso que preenche o vão e ainda impede que a água escorra por baixo da porta. Varra e seque o concreto, cole com o adesivo indicado pelo fabricante e veja no rótulo a temperatura mínima para curar direito. Rachaduras na laje ou na entrada valem um selante flexível de poliuretano para concreto, e frestas pequenas entre o batente e a parede aceitam espuma de baixa expansão ou selante.
Soleiras de vedação para garagem →
Teste a porta e depois olhe a casa
Uma borracha nova é mais grossa que uma gasta, e uma porta que agora pressiona demais o piso pode acionar a reversão de segurança do motor. Ao terminar, faça o teste padrão: deite uma tábua de 2x4 no piso sob a porta e feche com o motor. A porta deve tocar a tábua e voltar. Se parar e voltar bem antes de tocá-la, ou não passar no teste, ajuste o limite de fechamento do motor conforme o manual. Não mexa nas molas e nos cabos: têm tensão suficiente para ser perigosos, e isso é serviço para um profissional de portas de garagem.
Se a garagem é colada à casa, a vedação mais importante é a da porta entre a garagem e a casa. Coloque vedante nessa porta e na soleira dela para que frio, gases e poeira não cheguem aos cômodos, e nunca deixe um veículo ligado numa garagem fechada. Aproveite para conferir se há um detector de CO funcionando do lado da casa. O resto da lista contra correntes de ar —janelas, portas, a escotilha do sótão— está no nosso guia para vedar a casa.
E se o concreto levantou, rachou ou afundou junto à porta, consertar ou refazer a entrada é outro serviço: nossa calculadora de concreto diz quantos sacos comprar. Fora isso, uma porta bem vedada significa garagem mais quente, laje mais seca e nenhuma visita quando a temperatura cair.
Vedantes para porta de garagem →
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